Sumário

Diagnóstico de fiscalização de ponto Calculadora de passivo trabalhista Calculadora de custo do funcionário Planilha de horas extras no Excel Gerador de escalas e turnos Calculadora de dissídio Guia de formas de marcação de ponto

Escala de revezamento: o que é, regras da CLT e como configurar no ponto

Foto realista de uma profissional de departamento pessoal em seu escritório, analisando uma tela de computador com um cronograma de turnos colorido e organizado. Ela usa óculos, está concentrada e segura uma caneta. O ambiente é moderno, bem iluminado e profissional, sem textos ou gráficos fictícios na tela, apenas a representação visual de uma escala de trabalho. Alt: Profissional de DP configurando escala de revezamento no sistema de ponto.

Escala de revezamento é a organização da jornada em que os empregados se alternam nos dias de folga ou nos turnos de trabalho, para que a empresa funcione inclusive aos domingos, feriados ou 24 horas por dia. Na prática, a expressão tem dois sentidos na lei: o revezamento de folgas (como na escala 6×1 do comércio, em que a folga muda de dia e precisa cair no domingo de tempos em tempos) e o turno ininterrupto de revezamento, em que o empregado alterna entre manhã, tarde e noite e tem direito a jornada de 6 horas, salvo negociação coletiva.

Neste artigo, você vê as regras de cada um, quantas vezes a folga precisa coincidir com o domingo, os limites que a escala não pode ultrapassar e como configurar o revezamento no sistema de ponto sem gerar faltas ou horas extras erradas na folha.

⏱️

Guia interativo grátis

Qual a melhor forma de marcar o ponto na sua empresa?

✓ Portaria 671  ·  ✓ Relógio, app e tablet  ·  ✓ 6 perguntas

Descobrir minhas opções →

Os dois tipos de escala de revezamento

Antes de montar ou configurar qualquer escala, é preciso saber de qual revezamento a empresa está falando, porque as regras mudam bastante de um para o outro.

Tipo 1

Revezamento de folgas

O horário é o mesmo, mas o dia de folga muda entre os empregados ou ao longo das semanas, para cobrir domingos e feriados.

Exemplos: 6×1 no comércio, supermercados, restaurantes, hotéis.

Regra principal: a folga precisa coincidir com o domingo periodicamente.

Tipo 2

Turno ininterrupto de revezamento

O empregado alterna entre turnos diferentes (manhã, tarde e noite) numa operação que não para.

Exemplos: indústrias de processo contínuo, mineração, centrais de monitoramento.

Regra principal: jornada de 6 horas, salvo negociação coletiva (art. 7º, XIV, da Constituição).

Revezamento de folgas: as regras do domingo

Todo empregado tem direito a um descanso semanal de 24 horas consecutivas, de preferência aos domingos (art. 67 da CLT e Lei 605/1949). Nas atividades autorizadas a funcionar aos domingos, a empresa deve organizar uma escala de revezamento mensal, em quadro sujeito à fiscalização (parágrafo único do art. 67). A frequência com que a folga precisa cair no domingo depende do caso:

SituaçãoFolga no domingo, no mínimoBase legal
Comércio em geral1 vez a cada 3 semanasArt. 6º, parágrafo único, da Lei 10.101/2000
Demais atividades autorizadas1 vez a cada 7 semanasPortaria MTP 671/2021
MulheresEscala quinzenal que favoreça o domingo (a cada 2 semanas)Art. 386 da CLT

Sobre a regra das mulheres: o art. 386 continua no texto da CLT e o TST tem aplicado a escala quinzenal, inclusive no comércio. Por isso, o mais seguro é organizar a escala para que as empregadas folguem no domingo a cada duas semanas, e conferir se a convenção coletiva da categoria traz regra própria.

Outros três limites valem para qualquer escala de revezamento de folgas:

  • A folga não pode passar do 7º dia. Conceder o descanso só depois do sétimo dia seguido de trabalho viola a Constituição e gera pagamento em dobro (OJ 410 da SDI-1 do TST). Na prática, ninguém deve trabalhar mais de 6 dias seguidos.
  • Respeite as 11 horas entre jornadas (art. 66 da CLT), principalmente quando a troca de folga ou de horário encurta o descanso de um dia para o outro.
  • Trabalho no dia da folga sem outra folga na semana é pago em dobro, sem prejuízo do descanso remunerado (Súmula 146 do TST). Detalhamos o cálculo no artigo sobre trabalho em domingos e feriados.

A escala mais comum nesse tipo de revezamento é a 6×1. Veja como montá-la e calcular a jornada no nosso guia da escala 6×1.

Turno ininterrupto de revezamento: jornada de 6 horas

O art. 7º, XIV, da Constituição garante jornada de 6 horas para quem trabalha em turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva. Dois pontos que costumam gerar dúvida:

  • Basta alternar entre dois turnos. Para o TST, o empregado que alterna entre o turno do dia e o da noite já se enquadra, mesmo sem passar pelos três turnos (OJ 360 da SDI-1).
  • A jornada pode ir a 8 horas só por negociação coletiva. Com acordo ou convenção coletiva, a jornada pode chegar a 8 horas, e a 7ª e a 8ª hora não são pagas como extras (Súmula 423 do TST). Sem essa norma coletiva, tudo que passar de 6 horas por dia é hora extra.

Esse é o ponto em que mais aparece passivo: a empresa adota três turnos de 8 horas, não tem norma coletiva autorizando e acaba devendo 2 horas extras por dia para cada empregado.

Escalas usadas em revezamento

Cada formato tem uma regra própria. A tabela resume os mais comuns e o que cada um exige:

EscalaComo funcionaO que exigeOnde é comum
6×16 dias de trabalho e 1 de folgaAté 44h semanais; folga no domingo conforme a tabela acimaComércio, supermercados, restaurantes
5×15 dias de trabalho e 1 de folga; a folga anda pela semanaControle das folgas que caem no domingo e da média semanalPortarias, atendimento, serviços contínuos
4×24 dias de trabalho e 2 de folgaJornada diária compatível com 44h semanais; acordo de compensação e, em regra, norma coletivaIndústrias, postos de combustível
2×22 dias de trabalho e 2 de folgaCom 12h por dia, só com norma coletivaLogística, operações 24h
12×3612 horas de trabalho e 36 de descansoAcordo individual escrito, acordo ou convenção coletiva (art. 59-A da CLT)Hospitais, vigilância, portaria

Como configurar a escala de revezamento no sistema de ponto

Com a regra definida, a configuração no sistema segue quatro etapas. O exemplo usa a lógica do sistema Secullum, mas o caminho é parecido na maioria dos sistemas de ponto.

1. Cadastre os horários de trabalho

Cadastre cada horário que fará parte do revezamento, com entrada, saída e intervalo. Nessa etapa, configure também:

  • a tolerância de até 5 minutos por marcação, com máximo de 10 minutos por dia (art. 58, § 1º, da CLT);
  • o intervalo de 1 a 2 horas para jornadas acima de 6 horas (art. 71);
  • a faixa noturna das 22h às 5h, com hora reduzida de 52 minutos e 30 segundos. Veja mais sobre o cálculo do adicional noturno.

2. Monte o ciclo da escala

Crie a escala cíclica com a sequência de dias de trabalho e folga. Numa 6×1, o ciclo tem 7 dias. Quando a folga muda de dia ao longo das semanas para cair no domingo, o ciclo fica mais longo, de 14, 21 ou 28 dias, por exemplo. Antes de salvar, confira duas coisas: se nenhum trecho do ciclo tem mais de 6 dias seguidos de trabalho e se a folga cai no domingo com a frequência exigida.

🔍

Diagnóstico grátis

Seu controle de ponto passaria numa fiscalização?

✓ 12 perguntas  ·  ✓ Nota por área  ·  ✓ O que corrigir

Fazer o diagnóstico →

3. Associe os empregados e defina a data de início

Vincule cada empregado à escala e informe a data de início do ciclo. Como as equipes começam em pontos diferentes do ciclo para cobrir o posto, essa data é o que define em que dia cada pessoa trabalha ou folga. Se ela estiver errada, o sistema aponta falta no dia de folga e hora extra no dia de trabalho.

4. Configure as regras de DSR, domingos e feriados

Defina como o sistema trata o trabalho no dia de folga (pagamento em dobro ou folga compensatória na mesma semana), os feriados trabalhados e o reflexo das horas extras no DSR. Na 12×36, os feriados e domingos trabalhados já são considerados compensados (parágrafo único do art. 59-A), então o sistema não deve gerar dobra nesses dias, salvo regra diferente da convenção coletiva.

Infográfico com o passo a passo para configurar a escala de revezamento no sistema de ponto

Erros comuns na escala de revezamento

  • Três turnos de 8 horas sem norma coletiva: no turno ininterrupto, a 7ª e a 8ª hora viram extras.
  • Folga depois do 7º dia seguido: comum quando a folga “anda” pela semana sem conferência do ciclo.
  • Domingo de folga abaixo do mínimo: a escala mensal não garante o domingo a cada 3 semanas (comércio) ou a cada 2 semanas (mulheres).
  • Folga trabalhada paga como hora extra comum: sem folga compensatória na semana, o pagamento é em dobro.
  • Data de início errada no sistema: gera faltas e extras falsas que só aparecem no fechamento da folha.
  • Hora noturna sem redução: turnos que passam das 22h precisam da hora reduzida e do adicional, inclusive na prorrogação depois das 5h (Súmula 60 do TST).

Antes de cada fechamento, vale tirar o relatório de inconsistências do sistema e conferir uma amostra de empregados de cada turno. Erros parecidos aparecem na configuração da escala 5×2, principalmente na compensação do sábado.

Como a Impacto ajuda a configurar escalas de revezamento

A Impacto Tecnologia é revenda autorizada Secullum e faz a implantação do sistema de ponto com as escalas da sua empresa já configuradas: horários, ciclos, data de início de cada equipe, regras de DSR, adicional noturno e tolerâncias conforme a convenção coletiva. A equipe também treina o DP para trocar escalas, lançar folgas e conferir o fechamento sem depender de planilha.

As marcações podem ser feitas por relógio de ponto, aplicativo com reconhecimento facial ou computador, o que ajuda equipes que mudam de turno ou de posto com frequência. Se a sua empresa ainda usa uma versão antiga do sistema, veja se o Ponto Secullum 4 ainda funciona.

Fale com a Impacto Tecnologia

Preencha o formulário e nossa equipe entra em contato para entender a necessidade da sua empresa.

Perguntas frequentes sobre escala de revezamento

O que é escala de revezamento?

É a organização da jornada em que os empregados se alternam nas folgas ou nos turnos para que a empresa funcione aos domingos, feriados ou de forma contínua. Pode ser um revezamento de folgas, como na 6×1 do comércio, ou um turno ininterrupto de revezamento, com alternância entre manhã, tarde e noite.

De quanto em quanto tempo a folga precisa cair no domingo?

No comércio, pelo menos 1 vez a cada 3 semanas (Lei 10.101/2000). Nas demais atividades autorizadas a funcionar aos domingos, 1 vez a cada 7 semanas (Portaria MTP 671/2021). Para mulheres, o art. 386 da CLT prevê escala quinzenal, ou seja, domingo de folga a cada 2 semanas.

Qual a jornada no turno ininterrupto de revezamento?

6 horas por dia (art. 7º, XIV, da Constituição). Com acordo ou convenção coletiva, pode chegar a 8 horas sem pagamento da 7ª e da 8ª como extras (Súmula 423 do TST).

A empresa pode mudar a escala do funcionário?

Pode reorganizar a escala dentro do poder de direção, mas não pode fazer uma mudança que prejudique o empregado sem o consentimento dele (art. 468 da CLT). Uma exceção conhecida: a transferência do turno da noite para o dia é permitida, e o adicional noturno deixa de ser pago (Súmula 265 do TST). A boa prática é comunicar com antecedência e registrar a mudança no sistema antes da data.

O que acontece se o empregado trabalhar no dia de folga?

Se a empresa não der outra folga na mesma semana, o dia trabalhado é pago em dobro, sem prejuízo do descanso remunerado (Súmula 146 do TST). Se a folga só for dada depois do sétimo dia seguido de trabalho, o pagamento em dobro também é devido (OJ 410 da SDI-1).

O sistema de ponto calcula o adicional noturno na escala de revezamento?

Sim, quando os horários estão bem cadastrados. O sistema identifica as horas entre 22h e 5h, aplica a hora reduzida de 52 minutos e 30 segundos e calcula o adicional, inclusive sobre as horas que se estendem depois das 5h.

Categorias
Tutoriais Secullum RH
PABX e Telefonia
Legislação Trabalhista
Gestão e Produtividade
Departamento Pessoal e RH
Controle de Ponto

Compartilhar

Assine nossa Newsletter e fique por dentro das novidades

Você também pode gostar…

Relógio de ponto facial: como evitar fila na entrada e saída

Sua empresa tem filas na hora de bater o ponto? Saiba como o relógio de ponto...

Relógio de ponto biométrico, cartão ou senha: qual o mais seguro?

Descubra se o relógio de ponto biométrico, cartão ou senha protege melhor sua empresa contra fraudes...

Fim da escala 6×1 aprovado: o que depende de regulamentação

Aprovada a PEC do fim da escala 6x1, entenda quais pontos dependem de regulamentação, como fica...