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Sócios e diretores precisam bater ponto? Veja quem é dispensado pela CLT

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Sócio não precisa bater ponto, porque não é empregado. Diretor estatutário, em regra, também não. Já o diretor ou gerente contratado pela CLT só fica dispensado do ponto se tiver poder real de gestão e salário pelo menos 40% maior que o do cargo efetivo (art. 62, II, da CLT). Fora dessas situações, ele é um empregado como os demais e, em estabelecimento com mais de 20 trabalhadores, o registro de jornada é obrigatório (art. 74, § 2º, da CLT).

O cargo que aparece no cartão de visita não decide nada. O que vale é o tipo de vínculo com a empresa e o que acontece no dia a dia. Neste artigo, você vê uma tabela com cada perfil, o teste de 3 perguntas para saber se um líder precisa registrar a jornada e o que guardar para que a dispensa se sustente numa fiscalização ou num processo.

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Quem precisa e quem não precisa bater ponto: tabela por perfil

A tabela abaixo resume os cinco perfis de liderança mais comuns em pequenas e médias empresas. A coluna do meio é a que importa: ela mostra qual é a relação jurídica da pessoa com a empresa.

PerfilRelação com a empresaBate ponto?Como recebe
Sócio (inclusive o sócio-administrador)Dono de parte da empresa, previsto no contrato social. Não é empregado.NãoPró-labore e distribuição de lucros
Diretor estatutário (não empregado)Administrador nomeado no contrato social ou em ato separado (Ltda) ou eleito pelo conselho de administração ou pela assembleia (S/A).Em regra, nãoPró-labore ou honorários de diretoria
Empregado eleito diretorO contrato de trabalho fica suspenso durante o mandato (Súmula 269 do TST).Não, salvo se continuar subordinadoRemuneração de diretoria durante o mandato
Diretor ou gerente CLT com cargo de gestãoEmpregado com poder real de mando e salário pelo menos 40% maior que o do cargo efetivo (art. 62, II).Não, se cumprir os dois requisitosSalário + gratificação de função, em folha
Diretor ou gerente CLT sem esses requisitosEmpregado comum, ainda que tenha “diretor” ou “gerente” no nome do cargo.Sim (estabelecimento com mais de 20 trabalhadores)Salário em folha
Infográfico: quais cargos de liderança precisam bater ponto (sócio, diretor estatutário e diretor empregado)

Teste rápido: esse líder precisa registrar a jornada?

Responda às perguntas na ordem. A primeira resposta que encerrar o teste é a sua.

Pergunta 1

Ele é sócio, consta no contrato social e participa de verdade do negócio?

Sim: não bate ponto. Não: vá para a pergunta 2.

Pergunta 2

Ele foi nomeado ou eleito diretor estatutário e não responde a um chefe como empregado?

Sim: em regra, não bate ponto. Não: vá para a pergunta 3.

Pergunta 3

Ele tem poder real de gestão e ganha pelo menos 40% a mais que o salário do cargo efetivo?

Sim, as duas coisas: pode ser dispensado do ponto (art. 62, II). Faltou uma delas: precisa registrar a jornada.

Sócio precisa bater ponto?

Não. O sócio é dono de parte da empresa e não trabalha sob as ordens de um empregador, por isso não tem vínculo de emprego nem está sujeito às regras de jornada da CLT. Isso vale para o sócio-administrador e para o sócio que trabalha na operação: ele recebe pró-labore e participa dos lucros, não recebe salário nem horas extras.

O cuidado aqui é com o “sócio de fachada”: alguém que entra no contrato social com uma participação mínima, mas na prática cumpre horário, recebe ordens e é cobrado como qualquer funcionário. Nesses casos, a Justiça do Trabalho pode reconhecer o vínculo de emprego, porque atos que tentam disfarçar uma relação de emprego são nulos (art. 9º da CLT). Se isso acontecer, a empresa responde por todas as horas extras sem ter nenhum registro para se defender.

Diretor estatutário precisa bater ponto?

Em regra, não. O diretor estatutário é um administrador da empresa, e não um empregado. Na sociedade limitada, ele é nomeado no contrato social ou em ato separado. Na sociedade anônima, a diretoria é eleita pelo conselho de administração ou, se não houver conselho, pela assembleia geral (art. 143 da Lei 6.404/1976).

Quando um empregado é eleito diretor, a regra é a da Súmula 269 do TST: o contrato de trabalho fica suspenso durante o mandato, e esse período não conta como tempo de serviço, salvo se a subordinação continuar. Ou seja, se o “diretor” segue recebendo ordens, pedindo autorização e sendo cobrado por horário como antes, ele continua sendo empregado e volta a precisar de controle de jornada.

Diretor e gerente CLT: o que exige o art. 62, II, da CLT

O art. 62, II, da CLT tira do capítulo de duração do trabalho “os gerentes, assim considerados os exercentes de cargos de gestão, aos quais se equiparam os diretores e chefes de departamento ou filial”. Quem se enquadra não tem controle de jornada nem direito a horas extras. Mas o enquadramento depende de dois requisitos, e os dois precisam existir juntos:

  • Poder real de gestão: o profissional decide em nome da empresa. Na prática, a Justiça olha se ele comanda equipe, tem autonomia para contratar, demitir ou punir, aprova despesas e representa a empresa perante terceiros. Não é preciso ter todos esses poderes, mas é preciso mais do que apenas coordenar tarefas.
  • Padrão salarial diferenciado: o salário do cargo de confiança, somada a gratificação de função, se houver, não pode ser inferior ao salário do cargo efetivo acrescido de 40% (parágrafo único do art. 62).

Se faltar qualquer um dos dois, o diretor ou gerente é um empregado comum para fins de jornada. Os detalhes sobre gratificação, reversão do cargo e coordenadores estão no nosso guia sobre controle de ponto para cargos de confiança.

O risco de dispensar do ponto quem não poderia

No Direito do Trabalho vale a primazia da realidade: o que acontece no dia a dia pesa mais do que o que está escrito no contrato. Muitas empresas dispensam gerentes e diretores do ponto só por causa do nome do cargo, e o problema aparece quando a pessoa sai e entra com uma ação.

Se o ex-diretor provar que precisava pedir autorização para faltar, tinha as decisões revistas por um superior ou não tinha equipe, o juiz afasta o cargo de gestão. Sem registro de jornada, a empresa fica sem prova dos horários. O resultado costuma ser a condenação em horas extras dos últimos 5 anos, com reflexos em DSR, férias com 1/3, 13º salário e FGTS. O mesmo raciocínio vale para quem foi contratado como PJ e trabalha como empregado. Veja os limites no artigo sobre controle de ponto para PJ.

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O que guardar para a dispensa do ponto se sustentar

Se a empresa decidir enquadrar um diretor ou gerente no art. 62, II, vale montar uma pasta com as provas de que os dois requisitos existem de verdade:

  • Contrato ou termo de nomeação que descreva as atribuições de gestão, como equipe sob comando, alçada de aprovação e representação da empresa.
  • Procurações e documentos assinados por ele, como contratos, admissões, demissões, advertências e aprovações de compra.
  • Holerites mostrando a gratificação de função ou um salário pelo menos 40% acima do salário do cargo efetivo.
  • Cadastro coerente no eSocial: no cadastro do empregado, o regime de jornada informado deve ser o do art. 62, II, e não “submetido a horário”. O eSocial não recebe as marcações de ponto, mas a divergência entre o cadastro e a realidade aparece numa fiscalização. Veja os erros mais comuns no artigo sobre eSocial e controle de ponto.

E um cuidado que muita empresa esquece: se o profissional é tratado como gestor, não faz sentido cobrar horário fixo, descontar atraso ou exigir justificativa de saída. Esse tipo de cobrança é justamente a prova que derruba o cargo de gestão num processo.

Quando vale registrar a jornada da liderança mesmo assim

Para coordenadores, supervisores e encarregados, o mais seguro costuma ser manter o ponto. A linha entre cargo de confiança e cargo técnico bem pago é fina, e esses profissionais quase nunca têm poder real de admitir, demitir ou representar a empresa. Com o registro, a empresa tem prova dos horários, paga as horas extras quando elas existem e evita a discussão inteira num processo.

O registro também ajuda a enxergar sobrecarga na liderança intermediária, que costuma ser quem mais estende a jornada sem ninguém perceber. Se a sua empresa ainda usa folha de papel, veja os riscos da papeleta de ponto manual.

Como organizar o ponto de equipes com vários níveis

Numa empresa com operação, liderança intermediária e diretoria, cada grupo segue uma regra diferente. O sistema de ponto precisa refletir isso: quem é obrigado registra, quem é dispensado fica fora das regras de horário, e o RH enxerga tudo num só lugar.

A Impacto Tecnologia é revenda autorizada Secullum e faz a implantação do sistema de ponto com as regras de cada perfil de colaborador. As marcações podem ser feitas por aplicativo, reconhecimento facial ou relógio de ponto, em conformidade com a Portaria 671 do Ministério do Trabalho e Emprego.

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Perguntas frequentes sobre ponto para sócios e diretores

Sócio que recebe pró-labore precisa bater ponto?

Não. Pró-labore é a remuneração do sócio pelo trabalho na empresa, e não salário. Como não há vínculo de emprego, não há controle de jornada. A exceção é o sócio que, na prática, trabalha subordinado como empregado: aí a Justiça pode reconhecer o vínculo.

Diretor contratado pela CLT precisa registrar a jornada?

Depende. Ele só fica dispensado se tiver poder real de gestão e receber pelo menos 40% a mais que o salário do cargo efetivo, somada a gratificação de função (art. 62, II, da CLT). Se faltar um dos dois requisitos, o registro é obrigatório nos estabelecimentos com mais de 20 trabalhadores.

Funcionário promovido a diretor estatutário continua batendo ponto?

Em regra, não. Pela Súmula 269 do TST, o contrato de trabalho fica suspenso durante o mandato de diretor. Mas, se ele continuar subordinado, recebendo ordens e sendo cobrado por horário, o vínculo de emprego segue valendo e o controle de jornada também.

O que acontece se a empresa dispensar do ponto um gerente sem poder de decisão?

Se ele provar na Justiça que não tinha autonomia real, a dispensa é considerada inválida. Sem registros de jornada, a empresa tende a ser condenada a pagar as horas extras alegadas, com reflexos em DSR, férias, 13º e FGTS.

Empresa com até 20 funcionários precisa controlar o ponto?

Pela regra geral do art. 74, § 2º, da CLT, o registro é obrigatório apenas em estabelecimentos com mais de 20 trabalhadores. Mesmo abaixo disso, a convenção coletiva da categoria pode exigir o controle. E, sem registro, a empresa fica sem prova se houver uma ação de horas extras.

O eSocial mostra quem está dispensado do controle de jornada?

Sim. No cadastro do empregado, a empresa informa o regime de jornada, incluindo o enquadramento no art. 62, II, da CLT. O eSocial não recebe as marcações de ponto, mas o auditor fiscal pode comparar esse cadastro com a folha, com a gratificação paga e com a rotina real do profissional.

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